Abamba, uma década em movimento constante!

Cada ser humano vive a sua história, traça a sua trajetória e, muitas vezes, em algum momento importante do percurso, aquele de reflexão, olhamos para trás e fazemos uma análise de nós mesmos e em relação com o mundo que vivemos. Neste instante, tomamos consciência das nossas reais conquistas e das nossas falhas. O importante dessa reflexão é que transcende uma vontade enorme de continuar evoluindo a cada oportunidade e de ajudar outras pessoas a encontrar a sua direção e perseverar em busca de seus projetos de vida. Foi pensando assim que Beto Regina, bailarino profissional, com a colaboração de amigos, tomou a brilhante iniciativa de instituir a Abamba – Associação dos Benfeitores e Amigos de Meninos Bailarinos Atores, há 10 anos.

Conhecedor das dificuldades que um adolescente enfrenta para se tornar um bailarino profissional, principalmente por ter passado por inúmeras delas, Beto persistiu, driblou preconceitos, desafiou regras e em 1997, iniciou as aulas de dança, gratuitas, para meninos em situação de risco social da periferia de Campinas, em uma sala da Academia Viva Vida, emprestada pela amiga Denise Salaro. A partir daí, o curso teve uma adesão muito boa e só veio confirmar o que ele havia percebido, que existiam muitos talentos na periferia da cidade e que estavam ocultos por uma realidade de exclusão e limitações. As dificuldades para se formar um bailarino ator ainda existe, mas a ABAMBA oferece apoio para que as famílias incentivem seus filhos.

O ano de 2001 foi palco para mais uma conquista da ABAMBA, quando se mudou para um endereço próprio, no bairro Real Parque/Barão Geraldo. O galpão sede foi alugado e adaptado com uma estrutura básica para atender os meninos que já freqüentavam o projeto, bem como ampliar o número de atendimentos. Neste espaço, os adolescentes têm acesso a aulas diárias de balé clássico e contemporâneo, dança livre, musicalização, teatro, técnicas circenses, anatomia, história da dança, artes visuais, cidadania, reforço escolar quando necessário e atendimento psicológico, além de alimentação durante o período que permanecem no projeto. Ao final de 6 anos o adolescente, já jovem, em média com 18 anos, está apto a tirar o registro profissional como bailarino ator e ingressar no mercado de trabalho.

Mais de 200 adolescentes já passaram pela ABAMBA. Alguns continuam no projeto, outros saíram para, na maioria dos casos, trabalhar para ajudar no orçamento familiar; mas, certamente, essa passagem, seja de 1, 2 ou 4 anos, marcou a vida destes meninos, conferindo a oportunidade de bordar uma linha diferente no tecido social no qual eles estão inseridos, pois diariamente são passados conceitos de cidadania e valorização pessoal contribuindo para o resgate da auto-estima destes meninos.

Neste momento de festa e de muita reflexão para alçar vôo nesta nova etapa, já com certa maturidade conquistada, a ABAMBA reconhece e agradece o apoio de todas as pessoas envolvidas: colaboradores, voluntários, amigos, patrocinadores, familiares, Cláudia Raia (madrinha do projeto), Lima Duarte (padrinho do projeto) e o público que prestigia as apresentações do grupo “Os Meninos do Barão” em todos os lugares por onde passam. A estas pessoas que colaboram para que este trabalho aconteça, muito obrigado! Com toda certeza a iniciativa de cada um muito significa na vida dos adolescentes e familiares destes que freqüentam o projeto.


Depoimentos

Cleiberson Ferreira de Oliveira (Clay Ferreira), 22 anos, formou-se no ano passado e já dá aulas de dança em projetos sociais e aulas de artes visuais na Abamba; “Aqui, na Abamba, descobri, através das aulas e técnicas, muitos talentos que tinha e não sabia. Hoje posso dizer que danço, pinto, desenho, escrevo, componho, coreógrafo, dou aulas, sou clown, acrobata, canto, enfim, me sinto um artista completo. Talvez eu já fosse, mas descobri isso aqui.”

Osvaldo José Malaquias (Valdo Malaq), 20 anos, um dos formandos deste ano, descobriu o seu futuro na ABAMBA e, com apenas 1 ano de projeto, já afirmava convicto “quero ser bailarino profissional”. Agora, já em processo de despedida do projeto, está participando de audições e testes em companhias de dança para dar seqüência na sua vida profissional.

Alexandre Francelino Barranco (Alexandre Barranco), 18 anos - freqüenta o projeto há 5 anos: “Eu sempre gostei de dançar, mas não tinha oportunidade de estudar dança e me profissionalizar. Quando conheci a ABAMBA, fiquei muito feliz e ao começar a freqüentar o projeto já tive toda a certeza de que eu estava no caminho certo, era isso o que eu queria. Este é meu último ano e sei que tenho muita coisa ainda para viver e aprender e como bailarino ator profissional, quero viajar o Brasil e o mundo”.

Texto – Márcia França – assessoria de marketing
- Beto Regina – coordenador do projeto

Notícia adicionada em 01/11/2007 ás 17:56.